sábado, 4 de abril de 2009

MULHER OBJETO


"Empenho à maneira da velha, auto-suficiente e tirânica formulação que a Cinedistri herdou da antiga Cinédia, da Cinelândia Filmes de Alípio & Eurides Ramos, do “espírito” das revistas da praça Tiradentes, dos vícios até hoje remanescentes nos nossos rádio, teatro, circo, “show business”, jornalismo “ameno” e esportivo e todo esse “melting pot” que hoje é o forte da “qualidade telenovelística global”. Segundo o diretor Silvio de Abreu esta é já a segunda ou terceira vez que ele busca a sofisticação que amava nas fitas de Carole Lombard. Mas a tarefa é ingente, pois Carole tinha como estúdio a Paramount, como produtor o Selznick de “E o Vento Levou”, como roteiristas Claude Binyon, Garson Kanin, Charles MacArthur & Bem Hecht, como diretores Lubitsch, William K. Howard, Hawks, Leisen, John Cromwell, Kanin, George Stevens, como antagonista Kay Francis, Dorothy Lamour, Gail Patrick, Alice Brady, Una Merkel, a maravilhosa mexicana Margo, como galãs Gary Cooper, Fredric March, Charles Laughton, William Powell, Robert Montgomery, Fernand Gravey, John Barrymore, Fred MacMurray. E Silvio teve que se haver com o empertigamento de Helena Ramos, o tipo incrível de Nuno Leal Maia, a afetação de Maria Lucia Dahl, o televisivo de Yara Amaral. Há, é certo, gente de cinema como a falecida batalhadora Lola Brah, mais Carlos Koppa, Renée Casemart, os jovens galãs José Lucas e Fabio Villalonga, porém restritos a papéis ínfimos. E a fita, em verdade, seria mais “Homens Objeto”, pois a frustrada (?) protagonista, tal nova “Dama do Lotação”, não faz mais que se imaginar em maratonas sexuais com todos os homens que lhe chegam a vista, até mesmo o bestial encanador interpretado por Orlando de Barros.”

Publicado originalmente no "O Estado de S. Paulo" de 27/09/81.

Um comentário:

Riajeda disse...

correção: no lugar de José Lucas não seria Jorge Lucas?