domingo, 19 de agosto de 2007

MARILIA E MARINA

“A estréia na direção do “longa-metragem” de Luis Fernando Goulart, elemento que entretanto já é veterano do “metier”, com 15 anos de atividades cinematográficas e também sete em teatro, tendo participado (como assistente de direção ou encarregado de produção) em cerca de uma dúzia de películas, bem como de vários “curtas” e documentários. Não obstante sua origem, formação e atuação no “Cinema Novo” este seu filme tem, de início, a vantagem de não se submeter à corrente apenas “polêmica”. Não que a contestação social ou o empenho político não sejam válidos em cinema. No exterior frequentemente é. Nos anos 20 e 30 constituiram, por exemplo, a glória de King Vidor. Em 36, na Metro, permitiu ao alemão refugiado Fritz Lang realizar um clássico da contundência de “Fúria”. E tem exemplares da maior nobreza como “Tri”, do iugoslavo Aleksandar Petrovic, como as obras-primas húngaras de Jancso, os filmes poloneses de Wajda ou Kawalerowicz. Mas aqui no Brasil, via de regra exteriorizam uma “moléstia infantil”, quando não são “pose”, imaturidade, maneirismos ou, sobretudo, suposto golpe “comercial”. Portanto, vejamos no que deu esta procura da crônica do dia a dia de duas mocinhas pobres (Kátia D’Angelo, Denise Bandeira) de um bairro carioca que foram criadas pela mãe viúva (Fernanda Montenegro) que só vê para as filhas a tábua de salvação de um casamento rico. As figuras não são tão assim do século passado, pois uma das moças, Marina (Denise) se comporta exatamente como a estupidamente revoltada moça rica de “A Flor da Pele” que a própria atriz interpretaria depois desta fita, mas seria exibida antes. Segundo informes o diretor Goulart – antecedentes rossellinescos à parte – é também um apaixonado do cinema de imagem, de ritmo, introspectivo, atmosférico. Vejamos.”

Publicado originalmente no “O Estado de S. Paulo” de 24/04/77.

2 comentários:

Matheus Trunk disse...

O habitual do Biáfora e da seleção do Sergio: excelência. Estou sempre no blog, como acho que você bem sabe.

sergio disse...

Já suspeitava, Matheus :)
Valeu pela audiência super-qualificada, Brother! Abç.