"Chega afinal a versão cinematográfica do caso Lou-Wanderley Quintão. Com outro rótulo, é claro, mas sempre aquele caso de sexo, passionalismo e crime que o senso de “oportunidade” do produtor-diretor Jece Valadão, assim que o mesmo aconteceu, logo pensou
domingo, 30 de março de 2008
BEIJO NA BOCA
DEZENOVE MULHERES E UM HOMEM
"A primeira fita de David Cardoso sem direção de Jean Garrett, com quem o industrioso “galã” havia obtido seus três últimos próprios e ponderáveis êxitos comerciais: “A Ilha do Desejo”, “Amadas e Violentadas”, “Possuídas pelo Pecado”. Garrett, agora independente, pessoal (e auspicioso) com “Excitação”. David prossegue e talvez tenha exacerbado a fórmula narciso-erótico-comercial de toda a sua filmografia como “astro-produtor”, mas agora acumula também as funções de diretor. Tomara que com o mesmo surpreendente élan e “boa mão” revelados por John Herbert. No elenco os realces deverão ir para Aldine Muller (sempre lembrando o tipo de jovem Margaret Lindsay), talvez para a reaparição de Lisa Negra, para Patrícia Scalvi(que constituiu revelação em “Presídio de Mulheres Violentadas” e parece um misto de Louise Platt, Margaret O’Brien e da escocesa Siobhan MacKenna, a Virgem Maria do último “Rei dos Reis”) e para atores como Miro Carvalho (com seu tipo interiorizado de rapaz índio), para o eficiente Nelson Morrison e para o tipo peculiar e efetivo do diretor Ozualdo Candeias."Publicado originalmente no "O Estado de S. Paulo" de 12.06.77.
A FOME DO SEXO
"Mais um erotismo de encomenda, cumprido com a habitual diligência por Ody Fraga. Nada contra a encomenda, nem contra a diligência. Mas só com o provável tom e o lado adventício da obra, dois handicaps, que não são, em absoluto, inevitáveis. A história aqui parece a de “Idílio Proibido”, aquela última realização de Konstantin Tkaczenko em que a adulta Suely Fernandes cobiçava e envolvia até a morte um menino de 12 anos. Aryadne de Lima, que parece Capucine misturada a Joan Davis ou Charlotte Greenwood, apanha o marido em flagrante com a melhor amiga. Definitivamente ofendida, vai para Campos do Jordão e, apesar de assediada por um Arthur Rovedeer, cisma com um efebo daqueles típicos, que outro não é senão o frágil galãzinho do famigerado “A Filha de Calígula”. E o pior é que o referido acha que não tem vocação para gigolô e acaba preferindo sua antiga namoradinha (será que Danielle Ferrite?)."
A MULATA QUE QUERIA PECAR
"Outro nacional. Mas este da linha declaradamente “vexame”. O título já indica. De novo na co-montagem a já desaparecida Nazareth Ohana. Na história e roteiro o incrível “cômico” Paulo Silvino. E uma narrativa afim. Três casais
PORNÔ!
"Como “Aqui, Tarados!” e até mesmo “A Noite das Taras”, mais uma produção “hábil” de David Cardoso. Três histórias sumárias, um único autor-roteirista, três ambientes básicos, três diretores e sete figuras no elenco. Na primeira história, lembrando Stephane Audran e Jacqueline Sassard no chabroliano “As Corças”, Patrícia Scalvi e Maristela Moreno se encontram num luxuoso apartamento. Na segunda, David tem fixação por freiras e faz seu “date” Matilde Mastrangi vestir-se antes como tal. E na última, talvez com reminiscências do conto “O Espelho”, de Gastão Crulz, Zélia Diniz é uma cega que por meio de espelhos domina sexualmente e explora como criado Arthur Rovedeer (ótimo ator e tipo, como sempre) até que este descobre a artimanha e destrói todos os espelhos da casa." OS 7 GATINHOS
"Bergman foi profundamente marcado pelo clima “emilybronteano” e rígida e fria infância na casa de seu pai pastor protestante. Buñuel ficou indelevelmente estigmatizado pelo clericalismo de sua educação espanhola. Ambos transformaram isso nas revoltas e indagações sobre Deus em “Juventude”, “Sede de Paixões”, “O Silêncio” e nas blasfêmias de “Un Chien Andalou”, “L’Age d’Or”, “Viridiana”. A ficção de Nélson Rodrigues, verdadeiro epítome concentracionário de todas as taras e calamidades numa única unidade de tempo, espaço e família só pode vir da “Luta Democrática”, do nosso antigo “O Dia”, das manchetes “aglutinadas” de “Notícias Populares”. E com a absoluta exceção de uma das primeiras encenações ziembinskeanas de “Vestido de Noiva”, sempre nos parece absolutamente incongruente e inconvicente. Mas mais que a ficção, o que mais nos intrigaria é a maneira como se está desenrolando esse casamento de interesse ou conveniência entre o cinema-novismo e a dita “maldição” rodrigueana. E fiquemos por aqui..."
sexta-feira, 21 de março de 2008
AMOR BANDIDO *
“A formação “vivo o nosso Tempo”, “atuais universidades” ou “escolinhas de cinema” e “cineclubes” de Ana Carolina (33 anos), levou-a, em “Mar de Rosas”, a querer fazer “um ensaio ou uma reflexão sobre o Poder”, mas felizmente sua violência de espanhola de pai e mãe levaram-na, sem saber bem como, a esse grito de angústia imprecisa mas verdadeira que é “Mar de Rosas”. Já Bruno Barreto (agora 22 anos) neste “Amor Bandido”, demonstra uma visão de submundo que se aceitaria somente se vinda da idade e da experiência calejada de um repórter policial como José Louzeiro. E o que pasma é que parece que esta é uma idéia que ele tinha antes mesmo de fazer “A Estrela Sobe”, é seu projeto favorito e adiado há muito tempo. Mas quantos anos ele teria então? E desde que se trata de algo concebido como produto comercial (como todos os filmes seus, mesmo o infanto-adolescente “Tati, a Garota”) e produto de uma hipernacional, com a certeza de todos os respaldos de um poder e de um sistema, e ainda levando-se em conta que não se trata de alguém que cultua o policial ou o terrorífico, o espanto é maior. Se Ana Carolina exorcisou seus demônios interiores e o resultado foi um lancinante e puro grito feminino, que espécie de grito será este de Bruno? Sugawa aos 24 era terrível, mas seu terrível vinha de um ético e de um palpável amor à humanidade. Aqui é um terrível que nem Lovecraft ou Sheridan




